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domingo, 25 de outubro de 2009

Sydney Opera House



John Utzon foi o vencedor do concurso para a Sydney Opera House em janeiro de 1957, o que mais tarde lhe rendeu o prêmio Pritzker de arquitetura. Utzon se inspirou nos grandes exemplos da história, desde a arquitetura Maya até os monumentos orientais. É uma obra paradigmática da busca de uma nova expressividade da arquitetura moderna. Utzon queria isolar os auditórios da pele externa do edifício por razões acústicas e simbólicas. Também desejava suspender a sala de ópera e a sala de concertos na estrutura do teto, desenvolvendo um sistema de grandes vigas de madeira, formando uma ótima forma acusticamente. A maior dificuldade no desenvolvimento do projeto foi o projeto estrutural para as coberturas curvas. Foram seis anos de estudo para que a equipe do escritório de engenharia Ove Arup & Partners chegasse a uma solução estrutural para o que era então uma forma completamente nova para a cobertura das duas salas de concerto. O desafio era calcular o peso próprio das coberturas em concha, levando em conta o revestimento cerâmico, além de estabelecer uma relação entre as conchas externas e os tetos acústicos interiores.











De acordo com os croquis de Utzon, era praticamente impossível calcular uma geometria regular para tais estruturas. Peter Rice (Ove Arup) desenvolveu um software para fazer os cálculos geométricos, mas os resultados não agradavam ao arquiteto. Foi então que Utzon apresentou um novo desenho no qual todas as superfícies das coberturas eram geradas a partir de uma esfera simples, como 1/4 de uma laranja. A forma final demorou anos para ser completada e a tensão levou Utzon a abandonar o projeto, demitindo-se da direção da obra antes de terminá-la. O projeto final de 1963 mantinha a idéia escultórica inicial de Utzon, porém a estrutura inicial de dez conchas de concreto apoiadas umas sobre as outras se converteu em um sistema de estruturas autoportantes, com nervuras que se apoiam na base da plataforma de granito.
A Sydney Opera House é composta de salas de música e gravação, teatros, biblioteca, cinema, sala de exposições, restaurantes, camarins, cenários, sala de ópera, sala de concerto para 2690 espectadores, além dos foyers com lindas vistas para a baia de Sydney. As formas das coberturas expressam os valores simbólicos de velas de um grande barco ancorado na orla. Utzon foi considerado como o maior representante da terceira geração de modernistas. O complexo foi inaugurado em 1973, tornando-se um marco geográfico australiano.
 

 
 


Fontes:
MONTANER, Josep Maria. La modernidad superada: arquitectura, arte y pensamiento del siglo XX. 4. ed. Barcelona: Gustavo Gili, 2002.
SZALAPAJ, Peter. Contemporary Architecture and the Digital Design Process. Amsterdam: Elsevier, 2005.

sábado, 17 de outubro de 2009

Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou




O Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou foi concebido pelo arquiteto italiano Renzo Piano com a finalidade de comemorar o genuíno Kanak (também, Canaque), cultura da Nova Caledónia. Localizado em uma península de Nouméa, na Ilha de Nova Caledonia, Austrália, foi inaugurado em 1998. O centro é composto de 10 unidades de diferentes tamanhos e funções, com a forma de concha posicionada verticalmente, assemelhando-se às tendas tradicionais da Nova Caledônia. Sua aparência de inacabado é um lembrete de que a cultura Kanak ainda está em processo de formação. A ilha reside entre muita controvérsia política, foi sujeita à ocupação francesa por mais de 100 anos. O seu líder cultural Jean-Marie Tjibaou tinha como objetivo fomentar a independência Kanak, sendo porém assassinado por um extremista, em 1989. Tjibaou tinha a preocupação de que sua comunidade valorizasse suas raizes e tradições, ao mesmo tempo em que fosse aberta para a cultura mundial.


Piano desenvolveu o projeto com consultas à população local, aprendendo com a cultura e a natureza. O arquiteto procurou refletir no projeto, as tradições da cultura Kanak, tanto na funcionalidade quanto na aparência. Inspirado pela tradição, o Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou foi construído com tecnologia moderna, em madeira laminada colada, estruturada por tubos de aço inoxidável. A estrutura foi feita para resistir a furacões e terremotos. O complexo resistiu inclusive ao ciclone Erika. As conchas estão agrupadas de três em três, como se fosse um povoado. A concha mais alta possui 28m. Os caminhos para os pedestres os levam ao contato com a flora local e seus significados míticos, muito fortes na cultura Kanak. Os telhados planos de vidro e aço inoxidável são apoiados em colunas de Iroko (madeira local). Os volumes definidos por grelhas de madeira e vidro na base das paredes compõem o sistema de resfriamento passivo. As estruturas verticais e horizontais modificam o efeito dos ventos e as condições internas. As grelhas podem ser abertas ou fechadas, conforme a direção e velocidade do vento e o ar interno é então expelido pela parte mais alta do teto. Ao passar pelo edifício, o vento produz um som que representa os sons da floresta e das vilas Kanaks.






domingo, 11 de outubro de 2009

Capela Nossa Senhora Aparecida

Texto: Kátia Kintschner


Assim como toda obra desse blog tem uma história, essa obra também tem, além de uma bonita história a  Capela Nossa Senhora Aparecida se inclui na galeria de obras fascinantes pela sua singelidade e beleza. A princípio, a idéia que chegou é que em Jaraguari (cidade próxima a Campo Grande-MS) existia uma fazenda chamada Fazenda Nossa Senhora Aparecida, onde acontece todos os anos a romaria no dia 12 de outubro. Os donos da fazenda, muito devotos à Maria, gostariam de ter um lugar para colocar a imagem e homenageá-la. O que de início poderia ser um “puxadinho”, com telha de fibrocimento e na simplicidade que deveria ser seguida, foi pensado que afinal a mãe de Jesus mereceria algo mais especial. E assim sugiram os primeiros “rabiscos” do que poderia ser uma capela.


E mesmo sem conhecer a fazenda e os donos, foi-se pensando no que Nossa Senhora mereceria, mesmo com escassos recursos, grande parte doado. O pessoal da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, os professores José Francisco e Sandra coordenaram os trabalhos, doando vários finais de semana de suas vidas, assim como todos os voluntários e amigos, se dedicaram cerca de 1 ano até concluir a obra, que foi inaugurada dia 12 de outubro de 2007.


Cada pedacinho do mosaico feito demandou tempo, mas também inspiração e meditação. Ao ver a arquiteta esboçar na parede do altar, com um pedaço de carvão, o desenho que seria finalizado com mosaico, a dona da imagem exclamou surpresa que traçara o mesmo desenho para o manto que bordaria para a N. Senhora! Coincidências explicadas pela fé e pelo amor a N. Senhora que abre nossos caminhos, nos inspira e nos protege.

 

 
 
Parabéns querida padroeira do Brasil!
12/10/09

domingo, 4 de outubro de 2009

Bahrain World Trade Center




O Bahrain World Trade Center é um edifício comercial cujo projeto mescla uma estética marítima com a sustentabilidade,  através da silhueta de um veleiro, formado pelas duas torres que foram especialmente desenhadas para captar o vento da maneira mais otimizada possível, em direção às três hélices, como um funil. Foi utilizado um túnel de vento para simulações durante o projeto, assegurando que qualquer vento que chegasse a 45º de cada lado do eixo central do edifício criasse um fluxo de vento que continua perpendicular às turbinas. Isso aumentou significativamente o potencial de geração de energia. As três turbinas de 29m de diâmetro foram concebidas para prover de 11 a 15% da energia para as duas torres (1,1 a 1,3GWh por ano). Desenvolvido pelo escritório de arquitetura Atkins, foram utilizadas tecnologias já existentes, com o mínimo de modificações, para que o custo das turbinas fosse viável (3,5% do custo da obra). As torres possuem 240m de altura, distribuidos em 50 pavimentos.
Foram construídas em 2008, sendo o arranha-céu pioneiro em utilizar turbinas para a produção de energia. As torres são ligadas por três pontes de 30m, que também sustentam cada turbina de 225KW, totalizando 675KW de energia eólica (veja as turbinas girando no video logo abaixo). O BWTC está localizado no Reino de Bahrain, na cidade de Manãma (ilha próxima a Qatar, pertinho de Dubai). Recebeu inúmeras premiações internacionais por seu comprometimento com o meio ambiente como reconhecimento do público aos indivíduos e empresas que alcançaram o mais alto padrão de sustentabilidade através do projeto e da construção civil.




colaboração: Rafael Bruno Almeida