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domingo, 22 de novembro de 2009

Sala São Paulo de Concertos



Instalada na antiga estação de trens da Estrada de Ferro Sorocabana, onde hoje abriga uma estação de metrô e o Complexo Cultural Júlio Prestes, a Sala São Paulo é sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. A revitalização do edifício de 1938, marcado pelo historicismo e pela ornamentação, buscou estabelecer um diálogo adequado com o espaço existente, atendendo a uma demanda da sociedade contemporânea com um novo uso. Além disso, promove a preservação do edifício tombado, por meio de sua ocupação. Em 1925, Christiano Stockler das Neves foi contratado para o projeto da “Estação da Estrada de Ferro Sorocabana”, utilizando um estilo historicista, com elementos clássicos e linhas conservadoras. A obra teve início em 26 de fevereiro de 1926, acompanhada pelo arquiteto durante o primeiro ano de execução. Mudanças administrativas levaram à interrupção da obra e, quando retomada posteriormente, novos conceitos foram adotados, sendo contrários ao projeto e à vontade do arquiteto, culminando em seu afastamento da obra em 1928. Finalmente, em 1938 e com severas mudanças com relação ao projeto original, a Estação é entregue ao público já com o nome de “Estação Júlio Prestes”.

 

A não-realização do grande hall no centro da estação foi um dos motivos que levaram à saída do arquiteto da coordenação da obra. Mesmo após disputas judiciais, que visavam a obrigatoriedade da conclusão da obra conforme o projeto original, o espaço idealizado para a circulação de passageiros ficou anos sem cobertura, ocupado por um jardim. Nos anos 90, foram feitas várias tentativas de restauração, mas que necessitavam de maior atenção e apoio governamental. Por outro lado, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), idealizada por Mário de Andrade e fundada por Souza Lima, ainda não possuía sede própria após cinqüenta anos de atividade. Buscando um local para este fim, vislumbrou-se que este local poderia ser a Estação Júlio Prestes. Curiosamente, o grande hall inacabado da estação possuía dimensões e formato semelhante a consagradas salas de concerto existentes. A indefinição de uma cobertura no local permitiu o desenvolvimento de recursos importantes para a acústica da Sala São Paulo. O grande hall inacabado, tão combatido pelo arquiteto Chistiano Stockler das Neves, viabilizou a adaptação a uma sala de concertos setenta anos mais tarde. A cobertura do grande hall foi finalmente construída seguindo as proporções do projeto original. O projeto de revitalização da estação iniciou-se ainda em 1995, com as obras tendo início em 1997. Assim, em 1998 foi inaugurada a Sala São Paulo de Concertos, sede da OSESP, além da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, no Complexo Cultural Júlio Prestes, por uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo, com o então governador Mário Covas. A Estação Júlio Prestes foi transformada em um equipamento vivo, com intensa atividade artística. Alguns desafios, porém, estavam presentes, dentre eles a proximidade dos trilhos ainda ativos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A partir do hall da Sala São Paulo, é possível ver os passageiros chegando e saindo dos trens urbanos. Foram feitos diversos sistemas para o isolamento dos ruídos externos, como piso flutuante em toda a Sala, câmaras de ar, painéis com várias camadas de lã de vidro, entre outros recursos. A Sala possibilita a apresentação de qualquer tipo de concerto musical, devido à flexibilidade dos elementos arquitetônicos, como painéis, palco e forro móveis e vasta difusão sonora. O projeto foi elaborado pelo arquiteto Nelson Dupré, com a colaboração do engenheiro acústico e maestro Christopher Blair, o engenheiro Bernard Baudouin e José Augusto Nepomuceno, consultor de acústica. A empresa norte-americana Artec participou também do projeto acústico. A acústica ajustável é uma tendência dos últimos trinta anos. O projeto de salas de apresentações tem objetivado atender a uma amplitude de espetáculos diferentes. Na Sala São Paulo, para garantir a flexibilidade acústica, foram instaladas quinze placas móveis no forro, que permitem ajustar o volume da sala, alterando o tempo de reverberação. O espaço acima do forro também compõe o espaço acústico da sala, no qual as características acústicas podem ser sintonizadas por cortinas de veludo que são recolhidas ou esticadas em tirantes eletronicamente, conforme o ajuste sonoro que se queira dar à sala. No palco, há uma série de painéis que são absorventes sonoros de um lado e refletores do outro, permitindo que o maestro ajuste a absorção/ reflexão de acordo com sua preferência. A Sala São Paulo é marcada por uma grande quantidade de pequenas irregularidades, como os capitéis de colunas, figuras moldadas, recortes de paredes, os painéis do forro e as frentes dos balcões. Esses elementos (alguns deles faziam parte do projeto arquitetônico original da sala) foram explorados no projeto acústico para garantir excelente difusão sonora, aspecto fundamental na resposta acústica de salas para música. Com capacidade para 1500 pessoas, a Sala São Paulo tornou-se uma das melhores e mais importantes salas de concerto da América Latina.

 


Alguns depoimentos:
"Tenho orgulho de ter sido o impulsionador do corajoso gesto de dar ao Brasil uma das mais belas e perfeitas salas de concerto do mundo."
Maestro John Neschling
Diretor artístico da OSESP

"...a obra mais significativa da minha vida, ao sintetizar a experiência e conhecimentos de arquitetura e engenharia acumulados ao longo de minha existência profissional."
Nelson Dupré
Arquiteto

"...se você quer saber qual a melhor acústica que jáexperimentei, lá vai: Uma foi a do Concertgebouw de Amsterdã, onde se ouve até a respiração do melhor flautista do mundo...; e a outra foi a da Sala São Paulo de Concertos, uma acústica excelente..."
Alceo Bocchino
Maestro

Fontes:
DI MARCO, A. R., ZEIN, R. V. Sala São Paulo de Concertos. São Paulo, Alter Market, 2001.

OLIVEIRA, Lenine Vasconcellos de. Estudo da Acústica Ajustável da Sala São Paulo e sua Relação com Aspectos Musicais. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: COPPE/ Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2005.

www.salasaopaulo.com.br

domingo, 15 de novembro de 2009

Muralha da China



 
Também eleita uma das Novas maravilhas do mundo, a Muralha da China começou a ser construída por volta de 221 a.C., por ordem de Qin Shihuang, primeiro imperador chinês. Atravessa desertos e montanhas muito íngremes. Grandes blocos de pedra, com argamassa de barro foram os principais materiais construtivos. O objetivo dessa grandiosa obra era de impedir invasões de outros povos. Originalmente possuía três mil km de extensão. Atualmente estima-se que, após a dinastia Ming (1368-1644), a muralha chegou aos  8.850 km, atravessando quatro províncias (Hebei, Shanxi, Shaanxi e Gansu) e duas regiões autônomas (Mongólia e Ningxia). No século XVI, após não consegir conter inúmeras invasões, a Grande Muralha já não tinha mais sua função estratégica. 


 
Nos anos 1980, iniciou-se um programa de restauração muito criticado por ser levado sem o critério adequado, assim como o turismo praticado na região. A Grande Muralha é constituída de diversas estruturas como muros, torres, portais e fortes, cujos materiais empregados variam de acordo com a região do país, como tijolos, pedra, granito.  A altura média dos muros é de 7,5 metros, com 7m de largura na base e 6m no topo. Estima-se que haja mais de quarenta mil torres ao longo da grande muralha, com até 10m de altura, em que, no pavimento inferior, havia alojamento para soldados, além de depósitos e estábulos. Os fortes, com até 12m de altura, estavam em posições militarmente estratégicas, defendendo os portões de madeira.





Fonte: BBC

sábado, 7 de novembro de 2009

Kunsthaus Graz



Caracterizado por seu "formato bolha", o Kunsthaus Graz foi projetado por Peter Cook e Colin Fournier, além de outros arquitetos que compunham uma grande equipe, que venceram o concurso para o projeto do  museu e complexo cultural.  O conceito da "arquitetura blob" é reflexo do desenvolvimento da arquitetura após os anos 1990, uma expressão da totalidade do processo digital no projeto arquitetônico. A técnica de modelagem digital dos blobs é baseada na tecnologia B-spline surface modelling, que permite que curvas complexas possam ser modeladas precisamente. As superfícies NURBS (non-uniform rational B-splines) são uma representação unificada de várias superfícies que se inteceptam, como esfera, cones, cilindros, entre outras. A parametrização dessas superfícies permite a manipulação das formas em altos níveis de detalhamento, permitindo aos projetistas o uso de formas totalmente livres que poderão então ser construídas. O desenvolvimento deste espaço no qual não é possível diferenciar teto, parede e piso, dependeu da manipulação digital 3D das superfícies.


A informação necessária para a fabricação dos elementos curvos foi obtida por um minucioso detalhamento do modelo 3D. O modelo digital do Kunsthaus Graz começou como uma esfera, que foi sendo distorcida, com pontos controlados por parâmetros no programa Rhino 3D. O resultado final foi determinado pela otimização com relação à execução da obra e às condições estruturais.  O desenho final foi complementado por bicos de luz saindo da pele do edifício. A intenção era dar um aspecto "alienígena" ao museu, localizado na cidade de Graz, na Áustria.
 

O museu é ligado a um importante edifício histórico chamado Eisernes Haus, construído em 1848 de ferro pré-fabricado, o que era um edifício radical para a época. O Eisernes Haus serve de entrada principal para a galeria do Kunsthaus Graz, que foi inaugurado em 2003. O complexo foi concebido para abrigar exposições e produções artísticas conteporâneas multidisciplinares. São 11.100m² de área útil, com uma grande infra-estrutura para vários tipos de eventos, e estacionamento no subsolo. A espessura total da pele do edifício amebóide possui em torno de 90cm e é feita de acrílico azul-esverdeado. A vantagem de utilizar acrílico é que pode ser facilmente moldado pelo calor em temperaturas relativamente baixas, porém é imflamável, assim, várias medidas foram tomadas para precaução contra incêndios.



A fachada do Kunsthaus pode ser mudada eletrônicamente, pois contém vários tubos circulares de luz neon posicionadas unifomemente sob o acrílico, num total de 925 tubos florescentes. Este sistema é denominado BIX (Big Pixel), onde cada tubo funciona como um pixel controlado por computador, que cria animações abstratas, figuras e mensagens textuais, que podem acontecer em 20 quadros por segundo. Dessa maneira, a pele do edifício é usada para que o museu se comunique com a cidade e seja também plataforma para produções artísticas.


Fonte:  
SZALAPAJ, Peter. Contemporary Architecture and the Digital Design Process. Amsterdam: Elsevier, 2005.