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terça-feira, 1 de março de 2011

MAC - Niterói - RJ

"Como é fácil explicar este projeto! Lembro quando fui ver o local. O mar, as montanhas do Rio, uma paisagem magnífica que eu devia preservar. E subi com o edifício, adotando a forma circular que, a meu ver, o espaço requeria. O estudo estava pronto, e uma rampa levando os visitantes ao museu completou o meu projeto. "  Oscar Niemeyer (2006)

Inaugurado em 2 de setembro de 1996, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói-RJ tornou-se símbolo dessa cidade. A obra foi idealizada pelo então prefeito Jorge Roberto Silveira e projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que deixou sua marca ao utilizar as formas curvilíneas e o concreto puro, dando forma à estrutura e ao edifício ao mesmo tempo. O museu está localizado no Mirante da Boa Viagem, sobre uma praça com 2.500 m². Estando dentro ou fora deste inusitado edifício, é oferecida ao visitante uma vista panorâmica da "Cidade Maravilhosa".


Mesmo com 300 operários trabalhando noite e dia, foram necessários cinco anos para a conclusão do edifício com quatro pavimentos, que consumiu 32 mil m³ de concreto, quantidade suficiente para levantar um prédio de 10 pavimentos. Sua estrutura foi projetada para suportar um peso de 400 kg/m² e ventos com velocidade de até 200 km/h. Uma base cilíndrica única com 9m de diâmetro sustenta o museu, apoiada em uma única sapata de 16m de diâmetro e 5m de altura. Essa base cilíndrica é oca para permitir a mobilidade vertical, através de elevador, para o transporte de obras de arte armazenadas no subsolo. O edifício está envolto por uma superfície de 817m² de espelho d'água. 


Uma grande rampa, com piso vermelho, conduz o visitante ao museu. No primeiro pavimento estão recepção e administração. No segundo pavimento está o salão central de exposições, com 462m² e completamente livre de pilares, envolto por uma varanda com janelas panorâmicas que permitem a visão da Baía de Guanabara. A paisagem externa compõe o espetáculo oferecido ao visitante, conferindo também a funçao de mirante ao edifício. Os vidros triplos, com 18mm de espessura, foram fabricados especialmente para o projeto. Cada uma das setenta lâminas mede 4,80m de altura por 1,85m de largura e estão inclinadas em 40º em relação ao plano horizontal. 


No subsolo está um auditório para 60 pessoas e o restaurante. A iluminação externa do MAC é feita com 36 faróis de avião, com 1.000W de potência. O objetivo é tangenciar o prédio para dar a impressão de que o MAC está flutuando 10 metros acima das águas da Baía de Guanabara. A espacialidade das áreas expositivas leva o visitante a um percurso circular, caminhando no sentido anti-horário pela varanda, que em seguida sobe pela escada helicoidal até o mezanino, mudando a direção naturalmente para horária, sugerindo a sensação espacial de infinito. 


Segundo Bruno Contarini, responsável pelo cálculo estrutural do MAC, a estabilidade do conjundo vem do fato de que não se está acrescentando carga suplementar ao solo, uma vez que a carga total da construção, mesmo considerando o uso do Museu e o efeito dos ventos, é inferior ao peso da terra que foi retirada para a obra: 5.500 toneladas de material em escavações. O MAC possui 16m de altura. As vigas de concreto protendido que atirantam o mezanino avançam em balanços de 11m sob o forro. Sua cobertura circular possui 50m de diâmetro e foi impermeabilizada com material altamente resistente e utilizado para proteção dos foguetes da NASA. Esse material tem capacidade de sofrer uma variação térmica de menos 50ºC a 250ºC.


A maior parte do acervo é constituída pela Coleção João Sattamini. Esta coleção abrange um amplo espectro da arte contemporânea, tal qual veio se consolidando no Brasil a partir dos anos 50, como por exemplo: João Carlos Goldberg, Frans Krajcberg, Tomie Ohtake, Abraham Palatnik, Mira Schendel, Carlos Vergara, entre outros. 

 
Equipe de desenvolvimento: Jair Valera e Anna Elisa Niemeyer.
Fiscalização: Hans Müller.
Projeto Estrutural: Bruno Contarini.
Projeto Lumínico: Peter Gasper.
Projeto de mobiliário e ambientação: Anna Maria Niemeyer.

Fonte:
http://www.macniteroi.com.br/index.php?op=omac&mac_op=omac
http://www.macnit.com.br/

2 comentários:

  1. Muito interessante e oportuna essa matéria pois muitos brasileiros sequer sabem da existência do Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Um lugar magnífico para se conhecer e de arquitetura ímpar.
    E você está linda na foto!

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  2. Jarbas Similevinsk24/09/2012 20:03

    Concordo com a Katia. Aliás, o enquadramento da foto é perfeito, mostrando a harmonia da parte externa da "xícara" com o talude beira-mar e a linha de prédios da avenida.

    A terceira foto, porém, é magnífica com as linhas e cores das rampas contrapostas à xícara (que aí perde sua silhueta vulgar). Merece uma moldura e uma parede nua.

    Acho, porém, que a "xícara" em si não está harmônica com a paisagem em torno. Destaca-se da paisagem, é certo, mas apenas porque não combina com ela. Aí cairia melhor uma forma abstrata ou semiabstrata.

    Do Niemeyer gosto apenas do Palácio da Alvorada, a Catedral de Brasília e a Universidade de Constantine. Xícara acho figura muito vulgar, embora não tanto quanto a Loba Romana que abriga o Governo de Minas Gerais. A marquise do Parque do Ibirapuera, vista de dentro, é assustadora (merecia atenuações que fizessem suas dimensões parecerem mais humanas). O mesmo se diga do túnel do Congresso.

    Enfim, taí um bom arquiteto e um arquiteto sofrível...

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