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domingo, 26 de junho de 2011

Prédio do Banespa

 


Essa semana foi anunciado o tombamento do edifício Altino Arantes, conhecido como "prédio do Banespa", localizado em São Paulo, na Rua João Brícola nº 24. O prédio já havia sido tombado pelo município em um tombamento coletivo na região do Vale do Anhangabaú, no centro, mas com proteção apenas da fachada e das proporções do edifício. Agora, o tombamento preserva também os móveis que fazem parte da história a instituição financeira, o antigo cofre do banco, no subsolo, além do terraço e cinco pavimentos. Com 35 andares, era o mais alto da cidade em 1947, quando foi inaugurado no antigo centro financeiro, como nova sede do banco que financiava os barões do café. Segundo o IPHAN - Instituto de Patrimônio Histórico e artístico Nacional, O tombamento é um "ato administrativo realizado pelo Poder Público, nos níveis federal, estadual ou municipal, que tem como objetivo preservar bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, impedindo a destruição e/ou descaracterização de tais bens". O prédio "Banespão", como é conhecido, foi projetado pelo arquiteto Plínio Botelho do Amaral, e construído pela construtora Camargo Mesquita. O edifício teve sua obra concluída em 1947, após 8 anos de construção, que foi inclusive interrompida pela Segunda Guerra Mundial. O prédio se tornou um símbolo daquela era progressista, na qual São Paulo começava a receber muitos imigrantes do Japão, Europa e nordeste. Com 161,22 metros de altura, o prédio era o maior do mundo fora dos Estados Unidos e o primeiro a superar seu vizinho Martinelli, que durante 18 anos reinara como o maior arranha-céu de São Paulo. Representava o orgulho da cidade pelo seu crescimento e modernização.
Materiais nobres foram utilizados para o acabamento, como mármore de Carrara, tacos de ipê, jacarandá, e sua fachada revestida com pastilhas de porcelana. Foi o primeiro grande edifício do mundo onde se utilizou este tipo de revestimento na fachada, revestimento que se tornou marca registrada da arquitetura nos anos 50 e 60. Já o bloco da Rua Boa Vista foi revestido com cimento branco. O embasamento do edifício foi revestido com granito róseo polido, tanto do lado da Praça Antonio Prado, como do lado da R. Boa Vista. Internamente, no grande saguão, as paredes são revestidas de mármore. No piso do grande saguão, que possui pé-direito de 16 metros de altura, foram empregados granito polido, granito esmerilhado e bronze. Originalmente estava previsto um gigantesco baixo-relevo de mármore travertino a ser colocado no grande hall, representando o Apóstolo São Paulo e cenas da história da cidade e do banco. Esse baixo-relevo não chegou a ser executado. As paredes foram revestidas de lambris de jacarandá artisticamente trabalhado, enquanto que nos demais ambientes de trabalho são de lambris simples de jacarandá. Nos ambientes de grande movimento, utilizou-se material acústico para absorção do ruído. Todas as portas internas foram feitas de jacarandá e dotadas de ferragens especialmente desenhadas para o edifício. Os portões da entrada de ambos os blocos são de cobre, trabalhado artisticamente. Nas galerias do grande saguão, as grades artísticas são de bronze e aço inoxidável. As portas circulares de aço de seus cofres-fortes pesam 16 toneladas cada uma. Nos anos 40, o edifício foi considerado a maior construção de concreto armado do mundo. Do alto de seu mirante, o raio de visão é de 360º e atinge 40 Km. De lá é possível ver a Serra do Mar, o Pico do Jaraguá, os prédios da Avenida Paulista e as principais construções do centro. O lugar é visitado mensalmente por cerca de 5 mil pessoas. O fascínio já começa pelo saguão, com o belíssimo lustre de cristal nacional em estilo decô-eclético, com 13 metros de altura, 10 mil peças de cristal e 1,5 tonelada, feito no formato do edifício. O prédio foi privatizado em 2000 pelo grupo Santander-Banespa. A partir daí passou a abrigar um museu onde estão reunidos mais de 2 mil objetos que fazem parte da história de quase 100 anos de existência iniciados com cultura cafeeira do Brasil.O prédio é um dos principais personagens da linha do horizonte do centro de São Paulo.

 Fontes:
http://www.cidadedesaopaulo.com/sp/o-que-visitar/pontos-turisticos/178-banespao-edificio-altino-arantes





Um comentário:

  1. Ainda me lembro a satisfação do meu pai em levar a familia (eu com 8 anos) a São Paulo para conhecer "o maior prédio do mundo". Evento registrado em foto, ainda que em preto e branco.
    Ótimo texto.
    Bjs
    Kátia

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